Rob Zombie’s HALLOWEEN

A estreia de Halloween torna-se uma das atrações mais sem graça do fim de semana aqui no Brasil ao ser lançado nos cinemas com vinte e cinco minutos a menos de sua versão original, corte abusivo que inclui todas as melhores cenas do longa metragem, resultado de um trabalho mal-feito da distribuidora PlayArte.

halloween

Como de costume, eu prefiro esperar algum filme ser lançado nos cinemas brasileiros ou então em DVD (no mercado brasileiro, também) para que eu faça uma crítica aqui.

Já era de se esperar que eu fosse um fã de uma das mais tradicionais séries de terror de todos os tempos: Halloween. Dirigido por John Carpenter e lançado em 1971, o filme original tinha todos os elementos para se tornar um dos hitshalloween1971 perturbadores que apavorariam gerações, como de fato ocorreu. Tinha mortes, um assassino mascarado, a revelação de uma rainha dos gritos (Jamie Lee Curtis) e o trunfo: se passava numa noite de Halloween.

Dando sequência ao original, veio um segundo bom filme e um terceiro que na verdade não se trata de uma continuação da história do psicopata Michael Myers, mas sim de uma história muito xexelenta que usou do nome da série para chamar atenção. Segue-se a parte IV, onde a história ganha uma nova perspectiva com a sua sobrinha e o quanto, no fim, eles podem ser semelhantes. Retomando essa relação, a parte V forma uma ponte para o sexto filme, que é exatamente aquele que introduz uma teoria interessante mas ao mesmo tempo confirmatória daquilo que poderia fazer a imagem de Michael Myers perder a graça: a relação de todos os acontecimentos com uma seita, com algo místico.

Seguiram-se ainda o filme de aniversário, “Halloween H20″ e o resultado da influência de “visa-lucros” atuais que foi “Halloween – Ressurreição”, mas o que mais interessa aqui para que possa continuar e comentar o Halloween de Rob Zombie é aquela abertura mística dada a série no sexto filme.

Desde seu príncipio, a história sempre se tornava mais sombria com os comentários do Dr. responsável por Michael, Samuel Loomis e isso hallfuncionava perfeitamente bem ao apenas jogar no ar sentenças como “ele não é humano”, que reforçavam o poder que ele tinha e davam maior desespero ao espectador ao ver as cenas de perseguição. Entretanto, provar de fato que ele realmente é algo sobrenatural acabou por cortar “o barato” da personagem. Afinal, o medo mais racional do ser humano é justamente daquilo que é mais real, palpável e – não descrendo de nenhuma doutrina espírita, longe disso – próxima de nós. Torná-lo algo tão espiritual, energético até pode conferir uma aura nova e ainda assim completamente assustadora a Myers, mas não funciona encaixada após cinco filmes que já acostumaram seus fãs com uma ideia material e presente demais no cotidiano, próxima das pessoas de toda e qualquer crença.

Esta é a carta na manga de Zombie e um dos motivos pelos quais seu filme é tão espetacular: ele retoma as simples menções sobrenaturais, sem nunca por em dúvida a humanidade de seu assassino. A visão de Rob Zombie ainda lida com a formação completa do psicopata, desde os primeiros sinais até sua crise mais violenta ao fugir do sanatório e ir atrás de sua irmã, Laurie Strode. Seria errado, portanto, chamar este filme de apenas uma regravação, quando na verdade é uma completa recriação da história tão mal aproveitada há hall2anos.

Halloween de Rob Zombie abusa do clima tenso e pesado que deixa os espectadores nervosos ao pressentir, pela  espetacular trilha sonora, que algo ruim vai acontecer. Trilha sonora esta, brilhantemente resgatada do original de 1971, que chega a dar arrepios aos fanáticos pela série.

Excelente programa nos Estados Unidos, o lançamento de Halloween torna-se uma das maiores catástrofes do cinema de terror aqui no Brasil ao ser lançado neste mês de julho completamente cortado pela distribuidora PlayArte e ainda por cima sem nem 1/10 de toda a violência que fez deste um dos melhores exemplares do gênero de todos os tempos, conseguindo mesclar uma dose incrivelmente alta de violência coerente ao roteiro, dentro de todos os limites da trama.

O trabalho porco da distribuidora brasileira conseguiu acabar com um – na minha humilde opinão – novo clássico do terror e do suspense, adaptando-o para a ridícula classificação etária de 14  anos que visa, obviamente, abranger um maior número de espectadores no cinema, sem se importar com  a notória situação ridícula em que deixa o filme perante as audiências de nosso país.

Por causa dessa atitude estúpida, diversas pessoas sairão dos cinemas crendo terem visto um dos filmes mais ruins e frustrantes. Lógico, não? Imagine ser envolvido por um clima tenso e obscuro mas em momento nenhum dos primeiros 30 minutos de projeção ver algo realmente condizente ao clima. Muitos nem terão paciência de acompanhar o filme até ao final, largando a hall3sala durante uma cena qualquer de violência que – por algum motivo – foi mantida após a primeira hora do massacre de cortes.

Os cortes conseguem ser tão ruins que fazem uma gravação impecável parecer um típico filme B ao interromper as músicas de suspense do nada, mostrar situações que aparentemente teriam um desfecho e então passar para uma outra cena sem ao menos se preocupar em dar explicações quanto ao que ocorreu na passagem anterior.

Por isso, resta-me dizer o quanto estou indignado com a PlayArte por ter feito isso. Coisas assim me fazem, pela primeira vez, aceitar de muito bom grado que filmes incríveis de terror não cheguem nunca aos cinemas nacionais para que pelo menos mantenham sua “honra” sem ser injustamente usados por pessoas que não se importam com o nome de seus realizadores e muito menos com a imagem de um legado de verdadeiros 9 filmes.

Minha dica: boicote este lançamento nos cinemas e aguarde pelo  provável DVD sem cortes (uffaaa!), onde finalmente esta obra poderá ser apreciada em sua integridade, magnificamente conduzida e produzida.

Review by VTTM.

~ por v!tσя мeиðєs em julho 26, 2009.

7 Respostas to “Rob Zombie’s HALLOWEEN”

  1. AMEN!!!

  2. Putz!
    Eu não sabia disso. Eu assisti esse filme ano passando, baixando no torrent.

    Dois anos de atraso e com cortes… Lamentável.

  3. Isso aí cara, meus parabéns pelo protesto… Seu blog saiu no site da Globo =P

    http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL1246201-7086,00-HALLOWEEN+CHEGA+AOS+CINEMAS+COM+CORTES+E+GERA+POLEMICA.html

  4. Creio que logo será liberada uma versao sem cortes :D

  5. Caro Vitor, reproduzi um trecho do seu post em uma matéria que fiz a respeito do caso. Dê uma olhada lá:

    http://www.cinematorio.com.br/2009/07/violencia-contra-halloween.html

    []s.

  6. Aguardar pelo DVD??? Pq? Pra dar dinheiro pra Playarte mesmo assim? É tudo que eles querem, já até imagino a estratégia da dstribuidora: compre/alugue o DVD pois vc poderá ver cenas inéditas, que não passaram no cinema! Tem que boicotar geral.

    • Olá Denise… E quem mencionou em comprar DVD original? :P Vamos apenas aguardar sair as versões piratas copiadas diretamente do disco original, assim a qualidade é melhor para nosso proveito.

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