OS ESTRANHOS

Faz algumas horas que eu finalmente realizei o meu desejo de assistir ao filme que mais aguardava este ano: THE STRANGERS.

Continuo com aquela sensação de vazio que sempre me invade quando algo tão aguardado passa, mas ao mesmo tempo estou chocado e com vontade assistir diversas vezes seguidas.

Por que eu não começo logo a comentar o que achei? Porque simplesmente não dá. THE STRANGERS é uma experiência única em vários sentidos. Ele te prende desde a introdução à lá “O Massacre da Serra Elétrica” e te deixa num clima tenso ao longo dos seus quarenta minutos da fase de desenvolvimento, onde nada verdadeiramente digno de um filme sangrento e violento – como os atuais – acontece. Tudo é a atmosfera de extrema insegurança criada que dá o toque especial: a decoração da casa de verão, tão aconchegante, mas que com brutas batidas à porta perde toda sua imagem calorosa; o quarto antes tão romântico se torna um refúgio do casal desesperado…

Mas isso é até onde o desenvolvimento vai. Nem mais, nem menos.

Chega a ser impossível não comparar ao filme do mesmo gênero, “Eles”, produção francesa lançada em DVD no Brasil. Ambos são praticamente idênticos, a não ser pelas ambientações e o suspense, que é mais bem explorado em “Eles”.

Talvez seja até a gigantesca expectativa que criei para THE STRANGERS, mas não pude evitar uma certa decepção na falta de conteúdo, propriamente dito: detalhes, que sempre enriquecem a história.

-Por que vocês estão fazendo isso conosco?

-Porque vocês estavam em casa.

Acima de tudo, a atuação dos protagonistas, por vezes, não convence. Tendo acompanhado o trabalho de Liv Tyler, penso que a falha deve ter sido do diretor.

Eu creio que nada que seja dito a respeito desse tipo de filme faz perder a graça para quem ainda vai ver. Nem mesmo comentar a respeito do final. Acontece que a graça nesse sub-gênero do horror-suspense é justamente entrar no clima tenso que a obra propõe, aproveitar o friozinho na barriga quando o protagonista está num corredor escuro e nem percebe uma silhueta ameaçadora segurando um machado, logo atrás. É o nervoso de observar essa relação, a aproximação com o perigo, mesmo sabendo que não vai ocorrer nada.

Nessa linha de pensamento, levei um choque. E estou até agora em choque. Assim como em “Eles”, o final traz uma surpresa. Na verdade, THE STRANGERS vai além da produção francesa em sua terceira parte, a conclusão. Posso afirmar que toda a violência e tensão extrema que levam o filme a ter classificação etária de 16 anos concentram-se nessa última parte.

Todo o “não vai ocorrer nada” vai embora e resta apenas a indignação.

Após a cena mais chocante, vemos mais um acontecimento que remete à comparação com “Eles”, quanto à aparente falta de consciência dos criminosos.

No fim das contas, é só. THE STRANGERS não excedeu minhas expectativas, tampouco as alcançou. Pode ser que daqui a um ano, eu me refira a ele como um dos filmes que mais gosto ou até mesmo escreva uma nova crítica a respeito. Mas por ora, ele é apenas mais um filme de suspense psicológico/tensão que eu espero ver mais vezes e, lógico, conferir no escurinho do cinema na estréia aqui no Brasil, dia 21 de novembro.

PS.: Admito que fiz um esforço para esperar e ver somente no cinema, mas o medo de THE STRANGERS ter o mesmo destino que tantos filmes tiveram e pular direto para o DVD foi bem mais forte.

Review by VTTM.

~ por v!tσя мeиðєs em outubro 16, 2008.

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